POEMA - MINHA RUÍNA
Durante as antigas batalhas,
Eu costumava vencer grandes exércitos.
O poder estava em minhas mãos,
Meu nome ecoava por seus lábios
Até pelos mais respeitados sábios.
E tudo o que fiz foi desprezá-los.
Eu costumava vencer grandes exércitos.
O poder estava em minhas mãos,
Meu nome ecoava por seus lábios
Até pelos mais respeitados sábios.
E tudo o que fiz foi desprezá-los.
Nesta dinastia que conquistei
Vi o amor estar diante de mim
E por medo, fechei os portões do meu castelo.
Precisei mostrar que isso não me importou.
Agora, em meu coração tenho o arrependimento
E o que quero é recomeçar esse elo.
Durante este ano, percebi que poder e medo
Não podem andar juntos,
Precisei cair da minha graça
E não tinha mais nada para ser feito.
Fiz com que a minha esperança saísse do eixo.
Um dia soltei o monstro que estava na minha masmorra
E assisti ele destruir o meu reino.
Os meus soldados tentaram me salvar,
Mas eu não consegui me parar.
O poder e o medo me corroeram por dentro
E não haveria mais nada a ser feito.
Eu tinha tudo em minhas mãos,
E agora não se passam de ruínas.
As minhas ruínas.
Caí de joelhos pedindo perdão,
O meu povo me olhou com decepção.
Aquela que eles confiavam, deixou o medo vencer.
Vi o meu reflexo rachado no chão,
E nele era o monstro que destruiu o reino.
A junção de tudo o que sempre temi
Era a minha fraqueza, meus pecados,
O medo de não ser suficiente boa
Para aqueles que me admiravam.
Tudo o que exterminei,
Preciso reconstruir.
Tudo o que expulsei sem o menos dar-lhe uma chance,
Preciso tentar recuperar.
Não posso deixar o tempo me congelar
E me transformar num fantasma.
Sempre quis ficar sozinha,
Mas a solidão é tão vazia e quebrada
E só percebi quando senti o desprezo
Daquele que se importava.
Isto me atormenta todas as noites
Enquanto o espero voltar nos portões do castelo.
O tempo está passando,
E aos poucos o meu povo vou reconquistando.
Esqueça a era de ouro da minha dinastia,
Ela só existirá nas minhas histórias.
Cada ruína está renascendo mais forte,
E isso não foi sorte.
Eu não queria que tivesse sido assim,
Precisei me perder para perceber
Que o medo e o poder estando juntos,
Foram capazes da minha alma corroer.
Agora, não serei a esperança deles,
E sim, a minha própria.
A minha queda foi brutal,
E sei que nem tudo poderei recuperar,
Principalmente aquele que poderia me amar.
E que tardiamente, em retorno está sendo amado.
Porém, ele nunca saberá.
Afinal, não sei se ele retornará.